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A criação do Grupo Ambiental Natureza Bela está intrinsecamente relacionada com o histórico do município de Itabela, que foi fundado em 1989, antes povoado de Porto Seguro, e que recebeu este nome devido à existência de uma venda em que os tropeiros costumavam parar para descansar e verificar na tabela ali existente a distância em relação a outras localidades.
O povoado de Itabela começou a ser habitado aproximadamente a partir de 1949, quando vieram os primeiros madeireiros. Em 1970, houve a abertura da BR 101, suscitando o aceleramento do processo de degradação das florestas. Nesta época, através de incentivos fiscais concedidos pelo governo federal, houve a implementação do pólo madeireiro de Itabela, que atraiu inúmeras famílias de madeireiros e serrarias vindas do Espírito Santo, chegando a ter-se cerca de 75 serrarias, as quais, num período de quinze anos, esgotaram grande parte das reservas de florestas produzidas ao longo da história. Assim que as madeiras nobres se esgotaram, vieram os carvoeiros, que acabaram com o pouco de mata que havia restado.
Por fim, quando nada mais restava para desmatar, vieram os pecuaristas e algumas culturas, como a do mamão e do café, fortemente caracterizadas pelo extrativismo. O que era uma mata exuberante, repleta de riquezas naturais, passou a ser uma cidade cujos resquícios de mata são mínimos.
Na década de 90, deu-se o aparecimento da eucaliptocultura que, apesar de não ter um impacto ambiental tão grande quanto em outras regiões, trouxe sérios problemas sociais, já que causou o aumento do desemprego entre os trabalhadores rurais. A expansão do plantio de eucalipto comprometeu a maioria das áreas agricultáveis dos municípios do entorno da fábrica, inclusive em Itabela. Em conseqüência disso, houve um grande êxodo rural, o encolhimento da produção agrícola, o retraimento acentuado da pecuária, provocando, com isso, uma queda cada vez mais acentuada da economia do município, o que levou a um crescente desemprego, aumento vertiginoso de favelas na periferia dos centros urbanos, dificuldade do município em atender a uma demanda crescente de atendimento nos setores de educação, saúde pública, assistência social, moradia, e até mesmo de abastecimento, sem falar do crescimento do número de menores carentes e de famílias inteiras morando embaixo de lonas, em condições subumanas.
Hoje, Itabela tem grande parte do seu território ocupado por florestas de eucalipto, cultivo de café, mamão, maracujá, dentre outras culturas, além de extensa área onde se pratica a pecuária de corte e leite.
Nesse contexto de intensa instabilidade econômica e degradação socioambiental, surgiu a necessidade de criação de uma organização sem fins lucrativos que, concomitantemente, defendesse os interesses da coletividade no que diz respeito aos recursos naturais, conscientizasse a comunidade local e outras periféricas sobre a finitude e relevância desses recursos para a perpetuidade da vida e a estabilidade socioeconômica, promovesse ações de disseminação de informações a respeito de temas específicos referentes à natureza e que, principalmente, estivesse comprometida com a missão de suscitar mudanças que transcendessem o plano da prudência ecológica, estimulando o desenvolvimento da autonomia intelectual e cultural. Com este propósito é que foi constituído, em 28 de abril de 2001, o Grupo Ambiental Natureza Bela, que, a despeito da resistência de alguns ainda seguidores da tradicional cultura do desmatamento, vem conseguindo cumprir os ideais de defesa, preservação e conservação do meio ambiente, promoção do desenvolvimento sustentável, da educação ambiental, da cultura, de ações sociais, do voluntariado, da ética da paz e da cidadania, além da produção e divulgação de informações e conhecimentos técnico-científicos concernentes às atividades mencionadas e propagação de subsídios que levem à desmistificação de temas tidos como dificilmente compreensíveis e conseqüentemente passíveis de serem relegados em uma escala de relevância.
Hoje a entidade possui um terreno e uma sede no município de Itabela e outra sede em Porto Seguro. Utilizando-se de pouco apoio financeiro e institucional, em especial por parte dos órgãos de gestão pública, esta OSCIP vem promovendo inúmeras ações pontuais frente às atividades de geração e socialização da cultura local, algo representativo para a comunidade da região, pois para que haja uma mudança efetiva na sociedade é preciso que se pense coletivamente em soluções aos problemas socioambientais e se promova parcerias que transformem idéias isoladas em ações locais que estejam em consonância com as mudanças globais e que sejam inclusivas de participação.
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